Conversas #7

Ainda o cancro…

Ouve-se falar sobre o preconceito em relação às pessoas doentes com cancro. Não duvido que exista, embora não tenha sentido na pele. A minha opinião sobre o assunto? Não entendo como se pode “pôr de parte”, “apontar o dedo” e criticar as vítimas de qualquer tipo de doença, incluindo, obviamente, o cancro. Não compreendo esta atitude por parte das pessoas ditas saudáveis. Não param para pensar que, um dia, a doença poderá “bater-lhes à porta?”

Apelo: sejam compreensíveis sempre. Quer com pessoas doentes, como com pessoas que não estão doentes. Lembrem-se: o copo está sempre meio cheio.

 

Mariana

Conversas #6

Quando recebi o diagnóstico de cancro, questionei várias vezes a razão de ter sido atingida por esta doença. Não poderia ser outra coisa qualquer, mais ligeira? Algo que não fosse tão devastador? Acho que, por isso, escolhi esconder a doença da minha família. Não queria de forma alguma vê-los sofrer ou criar-lhes a ansiedade dos resultados dos exames. Isto são só algumas coisas de que me lembro. Sei que não queria, nem quero, que pensassem que iria morrer e que começassem a desenhar a vida sem mim. Egoísmo? Talvez.

Ninguém quer receber um diagnóstico de uma doença que sabemos que mata. Também sabemos que os tratamentos de hoje são bem diferentes dos tratamentos de há dez ou de há cinco anos, mas a sombra da morte paira nos nossos pensamentos.

Não vou mais justificar a minha opção. Fiz tudo por amor, disso tenho a certeza.

 

Mariana

Amor

Todos nós temos questões de amor. Nunca é fácil amar e deixar que nos amem. Estou há muitos anos com o Guilherme e nunca tive dúvidas de que ele seria o meu amor.

Há algo que devemos ter sempre presente: não nos envolvermos com uma pessoa que tem medo de amar.

 

Mariana

Conversas #4

Conversar sobre o cancro pode ser útil, mesmo que tenhamos que lidar com medos. Liberta-nos de algumas dúvidas, pode gerar outras que mais tarde serão desvendadas, faz-nos perceber que não estamos sozinhos, liberta-nos de emoções, enfim.

Se ainda me custa? Custa. Não o faço com ninguém, pelo menos, de livre e espontânea vontade. Às vezes, nem nas consultas consigo libertar a angústia que sinto. E, agora, a enfermeira sugeriu que faça o penso da cicatriz em casa. Estou com tanto medo de me ver ao espelho, não sei o que esperar, não sei qual será o aspecto…

Conversem comigo. Partilhem a vossa experiência.

 

Mariana

Dinamizar

Parece-me que estamos todas a precisar de algo diferente nas nossas vidas. Sim, eu sei que as nossas vidas têm sido uma loucura, mas ainda assim, creio que é necessário acrescentar-lhes algo diferente. Por isso, decidi promover um workshop, ou um exercício de team building, para nos conhecermos e para tentarmos aprender a lidar com os nossos medos e angústias. Vamos o que vai acontecer… Será que vamos ter surpresas?

 

Mariana