Conversas #6

Quando recebi o diagnóstico de cancro, questionei várias vezes a razão de ter sido atingida por esta doença. Não poderia ser outra coisa qualquer, mais ligeira? Algo que não fosse tão devastador? Acho que, por isso, escolhi esconder a doença da minha família. Não queria de forma alguma vê-los sofrer ou criar-lhes a ansiedade dos resultados dos exames. Isto são só algumas coisas de que me lembro. Sei que não queria, nem quero, que pensassem que iria morrer e que começassem a desenhar a vida sem mim. Egoísmo? Talvez.

Ninguém quer receber um diagnóstico de uma doença que sabemos que mata. Também sabemos que os tratamentos de hoje são bem diferentes dos tratamentos de há dez ou de há cinco anos, mas a sombra da morte paira nos nossos pensamentos.

Não vou mais justificar a minha opção. Fiz tudo por amor, disso tenho a certeza.

 

Mariana

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