O cancro destrói-nos o corpo, a mente, as relações afetivas e profissionais. É de conhecimento comum que tudo isto acontece. afinal, é uma doença complicada de combater e muito cansativa. Mas também nos destrói a autoestima e o amor-próprio. Principalmente o cancro da mama, que é o meu. Sinto-me menos feminina, menos mulher. Já não gosto de me ver com uma saia, com uma blusa mais decotada ou até de usar maquilhagem mais carregada. Por consequência também me afastei do meu marido e de toda a intimidade que tínhamos. E, acreditem que éramos um casal muito próximo e com uma sexualidade bastante satisfatória. Sempre vi a nossa relação como completa e repleta. Não havia espaço para espaço, compreendem? Não havia tempo para mesquinhices ou troca de insultos. Nada disso existia. Nos dias que correm, mesmo sem ele saber, é a maldita doença que nos controla e dita os nossos dias.

Sinto-me muito triste com isto. Não quero perder o meu companheiro e, muito menos, quero perder-me de mim.

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